Um esquema investigado pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL) apura supostas fraudes envolvendo clínicas que atendiam crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Síndrome de Down em Maceió. De acordo com as investigações, os estabelecimentos utilizariam laudos e encaminhamentos médicos com textos praticamente idênticos para justificar tratamentos de alta carga horária, gerando faturamentos que ultrapassariam R$ 40 mil por paciente.
A investigação teve início após auditorias realizadas pela Unimed Maceió identificarem inconsistências nos documentos apresentados em ações judiciais para obtenção de cobertura dos tratamentos. Segundo a operadora, diferentes pacientes possuíam encaminhamentos com a mesma redação, inclusive com erros de pontuação idênticos, além de pedidos por tempo indeterminado.
Outro ponto que chamou a atenção foi a incompatibilidade entre os registros de atendimento e a capacidade física de prestação do serviço. Conforme a auditoria, havia casos em que um único profissional aparecia registrado realizando mais de 24 horas de atendimentos em um único dia, indício que levou o caso ao Ministério Público.
As investigações seguem em andamento para apurar a responsabilidade dos envolvidos e verificar a extensão do suposto esquema.
Deputada Flávia Francischini cobra rigor nas investigações
Mãe de autista e autora do Código Estadual da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista no Paraná, a deputada estadual Flávia Francischini classificou o caso como revoltante e defendeu punição exemplar aos responsáveis.
“Se essas denúncias forem confirmadas, estamos diante de uma das formas mais cruéis de corrupção. Não é apenas um desvio de dinheiro público ou dos planos de saúde. É roubar recursos destinados justamente às crianças que mais precisam de atendimento. Enquanto milhares de famílias enfrentam filas, lutam por terapias e fazem sacrifícios diários para garantir o tratamento dos seus filhos, alguém pode ter transformado a dor dessas famílias em um negócio milionário. Isso é inaceitável. Espero que as investigações avancem com total rigor e que todos os responsáveis sejam identificados e punidos. Quem frauda tratamentos destinados a pessoas com deficiência não ataca apenas o sistema de saúde, ataca diretamente a esperança de milhares de famílias brasileiras.”